sexta-feira, 1 de abril de 2011

Solidão



Meu mundo está mudado,
Não sou o mesmo de antes.
Não posso viver o passado
Pelo menos um instante.

Eu não sei mais o que faço
Para tentar viver em paz,
Mas eu tenho que aprender, pois amanhã
Pode ser tarde demais.

O tempo vai passando e eu ausente,
Fazendo planos para o futuro.
Perdendo meu presente,
Vendo o mundo todo escuro.

Sem saber o que fazer para viver em paz.
Mas eu tenho que aprender,
Pois amanhã pode ser tarde demais.

Eu não sei mais o que faço
 Para tentar viver em paz
Mas eu tenho que aprender, pois amanhã
Pode ser tarde de mais

sábado, 26 de março de 2011

MINHA SOLIDÂO

Hoje vou toar mais uma dose do meu veneno,
Certo de que não serei eu a morrer.
Hoje vou fumar mais um cigarro,
Saindo pelas ruas entre os carros.

Sinto um alívio no meu peito,
Ouço minha mente reclamar.
Já não importa de que jeito, mas...
Tenho que me reabilitar!

Tem algo diferente;
São aquelas coisas que mudam a gente.
Mas como estou sempre igual,
Nada muda na minha mente.

Durmo e acordo só.
Procuro a felicidade.
Acho que ela se esconde de mim.
Sou a minha cara metade.

Ando pelas ruas, 
Não vejo felicidade.
Minha mente me esconde de mim,
Não tenho outra verdade.

sexta-feira, 25 de março de 2011

SONETO DO ADEUS

Sinto a alegria derradeira,
Parece que tudo está confuso.
Uma alegria brejeira
Mesclada a uma dor passageira.

Por que a felicidade prevalecerá,
Quando tudo se for,
E a dor só existirá
Enquanto eu vivo for!

Sairei para realizar os desejos e ânsias
De quem sempre esperou com afã
A passagem daquele que nunca teve um amanhã.

Presentear-vos-ei com um momento festivo,
Para imortalizar os sonhos perdidos
E encontrar fora da vida um sentido.

quarta-feira, 23 de março de 2011

MUDANÇAS

Mudaram-se os tempos,
Mudaram-se as vontades,
Mudaram-se os campos,
Mudaram-se para as cidades.

Só não mudaram os Estados,
Porque também não mudaram as pessoas.
Com isso ficamos obrigados
A levar a vida à toa.

É nesse novo tempo que chegam 
As promessas de mudanças.
É com essas novas vontades que acabam
Todas as nossas esperanças.

E me dizem: calma!
Mas sinto que o tempo
Não obedece à minha alma,
Como o mar obedece ao vento.

terça-feira, 22 de março de 2011

Morte em cena

Entram em cena os cavalheiros,
Todos vestidos de preto;
Pega cada um uma faca
Para acalmar aquela que sente dor.

Apagam-se as luzes,
Ouvem-se gritos de desespero.
Vê-se o açoite da grande turba:
- Peguem o caixão para deitá-la logo mais!

Agora entre nós as trevas se manifestam.
A mulher não mais sente dor;
Os homens cumpriram seu trabalho.
A multidão se cala e volta a gritar.

-Aonde vão cavalheiros?
O corpo ainda se move!
Peguem a cabeça, juntem-na ao corpo,
Coloque-os no caixão, destruam tudo!

Finda o sofrimento,
Desfaz-se a cena.
Foi tudo ilusão
Mas valeu a pena!





quinta-feira, 17 de março de 2011

Atavismo

Eu sou um homem
Dividido entre a razão e a emoção.
Sou romântico, sou realista,
Sou poeta e romancista.

Sou um artista austero;
Às vezes minto, outras sou sincero.
Minha poesia é feroz.
Expresso-me como um algoz.

Estudo por gosto,
Escrevo por ofício,
Vivo por obrigação,
Amo como um vício.

Sou um louco, porém estou lúcido,
E nesse atavismo até me confundo.
Quando estou sóbrio quero um líquido,
Na hora do pileque fico moribundo.

E só assim posso gritar ao mundo
Toda verdade escondida aqui no fundo,
Disfarçada em figuras de palavras
Sem saber o que são e como usá-las.

quarta-feira, 16 de março de 2011

Meu maldito ódio

Maldito o momento em que todo ma começa
Porque será para sempre lembrado.
Maldito o mal que se repete
Porque será eternizado.

Agonizo por estar vivo;
Estou vivo porque respiro.
Quando morrer que seja de um vício;
E que esse vício me leve ao precipício

Maldito o pensamento que se propaga por todo meu corpo,
Que não me deixa dormir e me faz sentir morto.
Maldito o dia que sair à rua sem direção,
Que me joguei ao vício e à devassidão.

Sofro por existir;
Viverei para me redimir;
Atearei fogo em mim mesmo
Para morrer sem ter medo.

E quando o meu ódio atingir a mim mesmo,
Saberei que não atingi o objeto odiado.
Serei vítima do meu próprio veneno:
- Então me deixe morrer envenenado!


Agonizo por estar vivo;
Estou vivo porque respiro.
Quando morrer que seja de um vício;
E que esse vício me leve ao precipício